The Project Gutenberg EBook of O Centenario de Jos Estevo, by 
Sebastio de Magalhes Lima

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Title: O Centenario de Jos Estevo
       Homenagem da Maonaria Portugueza

Author: Sebastio de Magalhes Lima

Release Date: December 16, 2008 [EBook #27542]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK O CENTENARIO DE JOS ESTEVO ***




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O Centenario de Jos Estevo

DISCURSO

PRONUNCIADO NO THEATRO DE AVEIRO

EM NOME DA

Maonaria Portugueza



MAGALHES LIMA

O Centenario de Jos Estevo

HOMENAGEM

DA

Maonaria Portugueza.

LISBOA

Composto e impresso na Typ. La Bcarre, de F. Carneiro & C.

47, Rua Nova do Almada, 49

1910



_Aos_

Maons Portuguezes

_Meus companheiros e meus Irmos_

Lisboa, 26 de Dezembro de 1909.

_Magalhes Lima_




SENHORAS E SENHORES:


A vossa manifestao toca profundamente o meu ser, faz vibrar a minha
alma, no porque me lisongeie o applauso do publico, o applauso da
galeria, que  tudo quanto ha de mais ephemero como ephemera  a espuma
do mar que o vento leva (os persas adoravam o sol, quando estava no seu
zenith e apedrejavam-no, quando desapparecia no horisonte; as folhas do
loureiro so narcoticas, entorpecem e provocam o somno, e os idolos s
so idolos, ai d'elles! emquanto se lhes no vem os ps de barro!) mas
porque reconheo quanto ha de sincero, de espontaneo, de effusivo e de
tocante na vossa homenagem.




Aveiro, ptria de Jos Estevo


Bem se pde dizer, senhoras e senhores, que fmos criados e embalados no
mesmo bero; que respirmos, juntos, o mesmo ar sadio da liberdade que
nos trouxe a brisa do mar; que partilhmos das mesmas alegrias; que
prantemos nos mesmos pesares e que bebemos pela taa da mesma amisade
effusiva. Em Aveiro, tenho a minha familia natural e a minha familia
espiritual--que sois todos vs! Perante a minha razo, ambas so
egualmente legitimas. Fomos companheiros e somos irmos. Por isso podeis
bem imaginar, podeis bem aquilatar, com que intimo alvoroo, com que
profundo recolhimento, venho hoje aqui, n'este dia solemnissimo (_sursum
corda!_) em que o corpo se me curva, ao mesmo tempo pelos annos e pela
commoo, semelhantemente a uma arvore amada, tronco bemdito, tronco
sagrado! que afagmos em criana e que vimos crescer; sim, repito,
podeis bem imaginar e aquilatar com que entranhada devoo, venho hoje
aqui recordar antigos camaradas queridos que cairam na estacada, ao
spro de ventos inclementes, porventura impiedosos. E entre outros,
apraz-me citar Mendes Leite, Bento e Bernardo Magalhes, Agostinho
Pinheiro, Francisco Rezende, Manuel Firmino de Almeida e Maia, Almeida
Vilhena, Julio Pereira de Carvalho e Costa, Manuel de Mello Freitas,
Chrispiniano da Fonseca, Manuel Gonalves de Figueiredo, e tantos outros
que alentaram a minha mocidade e foram para mim como que arco-iris
luminosos na primavera da vida.

No procuro inquirir das suas ideias politicas, nem isso importa, n'um
momento em que todos os aveirenses, ousarei mesmo dizer, em que todos os
portuguezes esto ligados, unidos, estreitados e vinculados pelo mesmo
pensamento, pelo mesmo sentimento e pela mesma vontade. A hora  para a
conciliao: no  para a repulso. A hora  para o amor e para a
concordia: no  para o odio e para a vindicta.  uma hora de jubileu
nacional que no comporta nem sectarismos nem exclusivismos.

Um mixto de melancholia pungente e de alegria intensa me domina e
avassala: de tristeza pelos que desappareceram, sombras queridas atraz
das quaes corremos em vo, numa ancia febril, quasi infantil; de
alegria, pelos que, escapados ao naufragio, eu vim hoje aqui celebrar,
glorificar e acclamar, com o desvanecimento com que os antigos romanos
exclamavam, orgulhosos: _civis romanus sum_, sou cidado romano; com o
orgulho com que Miguel Angelo bradava nos ultimos annos da sua vida:
_Anch'io sono pittore_, ainda sou pintor. Com esse mesmo desvanecimento
poderei exclamar: _sou cidado aveirense_. Com esse mesmo orgulho, o
orgulho de Pericles, depois da segunda derrota do Peleponeso, poderei
bradar: _eu de mim sou o que era e estou onde sempre estive!_

Como poderia occultar, com effeito, o enternecimento que me enche o
corao, n'uma onda de amor, n'uma emoo intraduzivel, ao encontrar-me
de novo n'esta pittoresca cidade de Aveiro, onde, atravs um delicioso
kaleidoscopio, entrevejo, em doce viso, o cysne do Vouga, na sua alvura
immaculada, como o cysne do _Lohengrin_; em Aveiro, a minha patria
adoptiva, _terra mater_, onde jazem os restos mortaes de uma me
adorada; onde deixei o exemplo sugestivo de um pae honrado e forte; onde
tenho um irmo, exemplar raro de elevao moral e intellectual; onde
recebi, pela primeira vez, a palavra de ordem, para os rudes combates da
existencia; onde, semelhantemente ao peregrino, ao romeiro que, depois
de ter percorrido longinquas paragens, regressa ao lar, no para topar
com a desilluso cruel, como o Frei Luiz de Sousa, mas como o Fausto da
lenda, para reviver na sua Margarida fiel, isto , no corao
fiel--venho encontrar alguns d'aquelles que tanto amei, como eu,
pendidos para o crepusculo. Como poderia occultar-vos o immenso jubilo
de que estou possuido, ao vr n'esta sala alguns dos legitimos
representantes dos que, pela liberdade viveram e por ella soffreram e se
sacrificaram, legando-nos o difficil mas grato encargo, no s de a
conservar e de a defender, de a mantr integra, como a bandeira de um
regimento, seno tambem o de accrescentar novas victorias s antigas
victorias, aos antigos triumphos novos triumphos. N'esta religio, toda
de piedade, de amor, de carinho, tenho educado o meu espirito e n'ella
espero morrer.

A amizade  um beneficio dos deuses, diziam os gregos. Emilio Castelar,
a quem eu devi uma das raras consagraes da minha vida, depois de umas
ligeiras escaramuas que tivemos na imprensa hespanhola, e que
arrefeceram um tanto as nossas relaes pessoaes, aproveitando uma das
visitas da princeza Ratazzi a Lisboa, escreveu-me uma longa carta, na
qual, entre outras coisas, me dizia o seguinte: As luctas da politica,
meu querido amigo, por mais gloriosas e brilhantes, no valem uma boa
affeio que inunda os nossos coraes de uma luz radiosa, divina, a
unica capaz de espancar as trevas da discordia.

Quando se chega  minha edade--j Lamartine o constatava--vive-se muito
de recordaes. Recordar, n'este caso,  resuscitar;  evocar a ala dos
namorados que nos tempos heroicos de mosqueteiro se batiam, quando no
morriam, pela sua dama idolatrada. E a dama, para mim, foi sempre e 
ainda a Ideia, a boa, a grande, a generosa Ideia; a origem de todos os
commettimentos, de todas as audacias, de todos os heroismos; a Ideia,
doce noiva espiritual, que no atraia como os homens, que consola e
faz viver; a Ideia, estrella, guia, pharol, que nos conduz  Terra da
Promisso; a Ideia, mais poderosa do que os grandes potentados da terra,
mais forte do que todos os exercitos do mundo, a Ideia em marcha no 
outra coisa seno a propria humanidade descrevendo, atravs a historia e
os seculos, a sua trajectoria luminosa, do mesmo modo que os astros nos
espaos obedecem  lei da gravitao universal.

Athenas, com os seus monumentos--exclamava Castelar--Roma com as suas
leis; Florena com as suas artes da Renascena; Veneza com a sua
bussola; Pisa com a sua lei do pendulo; Strasburgo com a imprensa; o
telephone,--acerescentarei--o telegrapho sem fios, o automobilismo, o
balo dirigivel, o aeroplano--que representa tudo isso seno a Ideia
illuminando o mundo, como a collossal estatua da Liberdade que se
encontra  entrada do porto de Nova-York?

Nada mais consolador e fortificante do que recordar nomes queridos e
saudosissimos e relembrar sitios, onde, na despreoccupao dos annos, na
suavidade bucolica de Virgilio, vivi as minhas primeiras illuses,
povoadas pelas abelhas do Himeto, como o philosopho que da sua torre de
marfim v o mundo cr de rosa, atravs uma atmosphera diaphana e
transparente.




A supremacia moral


Felizes os que, longe do embate, do choque das paixes brutaes e
grosseiras, das ambies illegitimas e inconfessaveis, dos odios
implacaveis, podem manter uma juventude espiritual, a eterna juventude,
divinizada por Petrarcha, amando a Vida e o Universo, na triplice
manifestao de belleza, de verdade e de justia.

 essa mocidade espiritual, ou, antes, essa fora moral que caracterisa
o sabio, o philosopho, o poeta, o artista, emfim todos os privilegiados
do espirito e do corao.

E foi seguramente essa mocidade espiritual, essa grande e poderosa fora
moral que, mais do que nenhuma outra, caracterisou esse homem raro,
unico, excepcional, que viemos hoje aqui celebrar n'um frmito unisono
dos nossos coraes, na suprema vibrao das nossas almas; a palavra
feita luz, o verbo feito marmore, mais poderoso do que os thronos dos
Cesares, do que as tiras dos pontifices--Jos Estevo Coelho de
Magalhes--personalidade de granito; cidado feito para a antiga Roma
que no para o Baixo Imperio de uma sociedade corrupta; o ideal da
liberdade, do amor, da justia, da emancipao humana, na sua maior
elevao moral e civica, o ideal da patria, d'esse patriotismo que teve
o seu echo triumphal no hymno da _Maria da Fonte_, como os
revolucionarios de 89 o tiveram na sua immortal _Marselheza_.

Superior  fora das bayonetas dos Hapsburgos, na Austria, de Eduardo
III, em Inglaterra, de Carlos V e Filippe II, em Hespanha, de Luiz XIV e
Napoleo I, em Frana, no cessarei de o repetir--est a aco moral do
individuo que foi,  e ser sempre o segredo da civilisao. O homem no
foi feito para um eterno martyrio e para repellir eternos attentados. Ha
uma coisa superior a todas as luctas violentas: o dever reciproco. O
methodo da civilisao no se conquista, porm, com a mesma facilidade
com que se conquista uma praa forte.

As procellas, as trombas, os cyclones--dizia o inclito Ruy Barbosa, n'um
dos seus discursos gravados em bronze--devastam mas no duram. O que no
passa  o oceano de verdades eternas, indifferentes ao rugir das paixes
contemporaneas, e por sobre elle a immensidade siderea das almas, que s
tu,  liberdade!

As demagogias so cataclysmos passageiros. Quasi todas as revolues de
vertigem popular naufragaram na dictadura. S so definitivas as
revolues do direito e pelo direito: a que descaptivou a Hollanda, no
seculo XVI; a que renovou a Inglaterra, no seculo XVII; a que organisou
as colonias anglo-americanas, no seculo XVIII, e a que fizeram, no
seculo XIX, a America latina, a Belgica, a Italia e a Grecia.

Ao contrario de Carlysle, que via na historia a obra pessoal e quasi
exclusiva de alguns que elle denominou heroes ou grandes homens,
Michelet, o seductor Michelet, via na historia a obra das multides, a
obra do povo, o protogonista de todas as revolues.

Qual das duas theorias, qual dos dois criterios philosophicos ser o
verdadeiro?

Eu creio que ambos, porque, assim como a aco completa o pensamento,
assim tambem a Revoluo completa a evoluo.

Foi certamente Camillo Desmoulins, quem, no Palais Royal, n'uma noite,
ao mesmo tempo tragica e festiva, interpretando o sentimento francez, e,
mais do que o sentimento francez, o sentimento humano, soltou o grito
libertador--_ Bastilha!_ Mas foi a populao do bairro de Santo
Antonio, composta de esfarrapados, de famintos, de andrajosos, de _sans
culottes_, da canalha, na linguagem da Ordem, quem a assaltou e a
derrubou. Quero referir-me  Bastilha franceza, do seculo XVIII, porque,
depois d'isso, quantas Bastilhas se ergueram e quantas esto ainda de
p, para vergonha da civilisao e da humanidade!

Foi, sem duvida, Emilio Zola quem, no processo Dreyfus, interpretando
ainda o sentimento humano, soltou aquell'outro no menos formidavel
brado: _Accuso!_ Mas foi a opinio mundial, foi a consciencia
collectiva, quem lhe deu a victoria, assim como foi a opinio mundial, a
consciencia collectiva, quem denunciou o assassinio judiciario de
Francisco Ferrer. No foram os Pyrineus que separaram momentaneamente a
Hespanha da Europa; no foi o Oceano que a separou da America: foi o
carrasco, com as mos retintas de sangue, quem a isolou do mundo
civilisado.

Foi Leo Tolstoi quem proclamou a recusa ao servio militar, como meio
de acabar com as guerras que ensanguentam a humanidade. Mas foram as
massas populares, foram os intellectuaes, que julgam sempre em ultima
instancia, tribunal acima do qual no ha, no pde haver, outro
tribunal, quem lhe assegurou o triumpho moral.

Isto quer dizer, que a iniciativa individual s  fecunda, quando
coroada pelo esforo collectivo. Entregue e abandonada a si, raramente
consegue vencer.

Os homens s so grandes e s podero chamar-se heroes, quando vivem
para os seus semelhantes, quando os seus coraes pulsam e vibram com o
corao do povo, n'um mesmo ideal e n'uma mesma aspirao!




Os heroes


Sero, porm, admissiveis os heroes?

O proprio tribuno, no seu famoso discurso da _Charles et George_,
illuminado pelo mais ardente patriotismo, repudia-os com averso.
_Detesto os heroes todos. Os heroes so excepes monstruosas da nossa
natureza_--dizia elle.

Aqui revela-se o precursor do pacifismo, isto , da justia integral e
da paz universal, que hoje preoccupa e absorve todos os grandes
pensadores do Universo. Porque Jos Estevo foi, principalmente, um
illuminado, um vidente, um precursor, como tentarei provar na sequencia
do meu discurso.

Jos Estevo repudiava certamente os heroes que se assignalam nos campos
da batalha, devastando como cyclones, matando como assassinos, roubando
como ladres, os heroes, synonimos de guerra e de conquista.

A guerra! Ironia pungente, sarcasmo cruel da civilisao!

Uma pobre mulher do povo amamenta o filho com o sacrificio do proprio
sangue; instrue-o e educa-o com o sacrificio do proprio estomago; e,
quando a creana se torna um homem, um operario, um trabalhador, de modo
a poder amparal-a n'uma velhice repousada, vem a ordem soberana em nome
da lei, e manda-o para os campos de batalha, como se mandam as rezes
para o matadouro--para o matar...

Mas Jos Estevo no podia repudiar, com a mesma averso, os heroes que
se assignalam no campo do pensamento, melhorando as condies da
existencia, tornando os homens mais felizes, porque elle foi a
encarnao mais pura, mais viva, mais authentica d'esse heroismo.

Que so, com effeito, os heroes da antiguidade, Annibal, Cesar,
Napoleo, comparados com os heroes do nosso tempo, com os Berthelot, com
os Pasteur, com os Victor Hugo, com os Curie, com os Edison, com os
Darwin, com os Herbert Spencer, com todos os bemfeitores da humanidade,
emfim?

Heroe, n'esta accepo,  synonimo de soberania moral e intellectual. E
foi esta soberania que Jos Estevo exerceu na sociedade portugueza e
que o fez entrar na immortalidade da historia.

_A supremacia moral  o unico poder verdadeiro. Os caracteres
superiores e os superiores talentos so aquelles que tem tanta
perspicacia para conhecer a verdade, como fora para propugnar por
ella._




A psychologia de Jos Estevo


No nos precipitemos, porm.

Para bem penetrar a psychologia de um homem celebre, torna-se mister
averiguar, inquirir, investigar o meio em que se desenvolveram as suas
faculdades, em que se expandiu a sua aco moral e social.

Jos Estevo nasceu em Aveiro.

Quantas vezes, na sua predilecta Costa Nova do Prado, o mar, na sua
immensidade, na sua grandeza, na sua magestade, o mar gigante e
indomavel, provocando a nostalgia de mundos infinitos, lhe no teria
suggestionado alguns dos mais bellos pensamentos dos seus discursos
emocionantes? Quantas vezes no teria comparado o oceano com as grandes
revolues da historia, pelo seu correr impetuoso, pelo seu rugir
leonino? E, quantas vezes, o no teria cotejado com a humanidade, quer
nas horas de bonana, quer nas horas terriveis em que a onda galga o
rochedo e invade, alterosa, a praia, como protesto contra a intruso dos
homens, e que  a perfeita imagem das horas tragicas da insurreio, que
para os povos calcados, pisados e escravisados representa um direito,
muitas vezes um dever, e, algumas vezes tambem, uma necessidade.

Jos Estevo nasceu em Aveiro.

E, assim como a populao dos centros industriaes  naturalmente
propensa s ideias socialistas, a populao das terras maritimas 
naturalmente propensa s ideias republicanas, talvez pela independencia
que s a natureza pde dar.

Sempre me hei de lembrar que encontrei nos pescadores de Aveiro os meus
primeiros adeptos e nunca esquecerei a galhardia, o garbo, a intrepidez
com que os vi marchar, atravs as ruas de Lisboa, no cortejo civico do
tri-centenario de Cames, ladeando o carro do _Commercio e Industria_.

Foi um passeio triumphal que lhes preparei que redundou n'uma immensa
apotheose, apotheose romana, a Aveiro e aos aveirenses.

O pescador e o mineiro so para mim as duas entidades mais sympathicas e
que mais me enternecem.

 preciso ter descido a uma mina, como eu desci, na Belgica, para se
avaliar o que representa em esforo, em sacrificio, em abnegao, em
heroismo, a vida do mineiro.

N'uma especie de ascensor, improvisado com taboas e cordas, desci
trezentos metros abaixo do solo--a altura da Torre Eiffel, de Paris. As
galerias so percorridas pelos wagonetes que assentam em _rails_ n'uma
extenso de muitos kilometros. O mineiro, mascando o carvo para illudir
a propria fome, est ordinariamente de costas, com a lanterna cingida 
testa ou ao ventre, de picareta em punho, para melhor poder extrahir o
minerio. Os trabalhadores formam dois turnos: um que desce s 6 da manh
e sbe s 6 da tarde, e outro que desce s 6 da tarde e sbe s 6 da
manh.

E tal  o terror que os domina, ao descerem aos poos, que a muitos vi
eu, com espanto, persignarem-se e benzerem-se, como quem se despede da
luz e no tenciona mais regressar.

So escolhidos de preferencia os celibatarios. At as alegrias da
familia lhes so defesas! E quantos no vo encontrar a cegueira, e
quantos no vo encontrar a mais affrontosa das mortes n'aquellas
catacumbas immensas!

E, ao passo que as companhias mineiras do aos seus accionistas 20, 30,
40 e 50 por cento de dividendo, o mineiro ganha o indispensavel para no
morrer de fome. Alli, constatei, como tinha egualmente constatado na
Bolsa de Berlim, vasta _menagerie_ de feras ambiciosas, quanto o
socialismo tem uma razo logica de ser. Permitti, senhores, que exclame,
com Paulo Luiz Courier: _ grandes da terra, olhae para o que se passa e
tende juizo se podeis!_

Do pescador, nada vos direi, porque todos vs conheceis a sua temeridade
e o seu arrojo, expondo a vida com a serenidade dos grandes heroes, para
alimentarem os seus semelhantes.

Ainda por occasio do cortejo civico do tri-centenario de Cames,
Ramalho Ortigo, na occasio em que se organisava a procisso, no
Terreiro do Pao, tomando-me do brao, levou-me a vr o que elle chamava
os seus pescadores, os povoeiros, os pescadores da Povoa de Varzim, e
indicando-me um, disse-me: este salvou seis vidas. Tinha o peito coberto
de medalhas, como os generaes famosos. Por meu turno, tomando-o tambem
pelo brao, fui mostrar-lhe aquelles a que eu chamava os meus
pescadores, os pescadores de Aveiro, e indicando-lhe um, accrescentei:
este salvou 12 vidas. No tinha uma unica medalha ao peito. Bem se via
que era da patria de Jos Estevo!

Jos Estevo bebeu no bero o leite da liberdade, se assim me posso
exprimir; e, chegado  edade da razo, acompanhou em espirito a mais
cosmopolita de todas as revolues--a revoluo de 1848.

Um seu e meu dilecto amigo, Jos Elias Garcia, alludindo ao facto,
disse-me um dia: Quando esse movimento, que tantas esperanas havia
alimentado, fracassou em Frana, houve alguem que chorou em Portugal.
Esse alguem fui eu.

Nenhuma revoluo logrou, com effeito, como esta, apaixonar e commover
os espiritos, pelo seu sentimentalismo idealista e humanitario.




O socialista


O sentimento de ento transformou-se, porm, n'uma realidade positiva,
moral e humana que hoje assoberba o mundo e ameaa abalar a sociedade
pelos alicerces, tendo invadido at as espheras governamentaes.

Lloyd George, um digno continuador de Lincoln, o rachador de lenha, que,
pelos proprios meritos, chegou  presidencia da Republica dos Estados
Unidos da America, ao apresentar o seu oramento  Camara dos Communs,
exclamou: Que ninguem se illuda! O meu oramento  um oramento de
guerra, de guerra contra o pauperismo que todo o governo tem obrigao
de attenuar, seno de extinguir. N'um _meeting_, em Londres, onde me
foi dado ouvil-o, confirmou esta phrase e accrescentou:  uma guerra
entre os que possuem e os que no possuem, entre o rico e o pobre, uma
guerra entre a democracia socialista e a oligarchia financeira, entre o
pacifismo e o imperialismo, entre o proteccionismo e o livre cambismo,
entre a Inglaterra do passado, com todos os seus vicios, e a revoluo
no sentido governamental da palavra.  preciso fazer desapparecer, em
nome da civilisao, os contrastes que envergonham uma cidade como
Londres. Ao passo que, no primeiro hotel da cidade, no _Cecil Hotel_, se
banqueteiam todas as noites, em festins romanos, os _lords_, os
fidalgos, os burguezes, fazendo espumar o _Champagne_ como as aguas da
cataracta do Niagara, na trazeira do mesmo edificio que confina com o
Tamisa centenares de vagabundos, de miseraveis, sem po e sem trabalho,
o que equivale a dizer sem patria, achegados uns aos outros, para
receberem dos seus semelhantes o calor que o proprio sangue lhes no d,
cobrem o corpo com folhas de jornaes, para no morrerem inteiramente
gelados. Qualquer _lord_, que  a expresso da ociosidade e do
parasitarismo, no vale uma unica das minhas medidas!

Quando cheguei a Londres, Kropotkine disse-me: A Inglaterra  o paiz
mais supersticioso do mundo. Estando em Brighton, e chovendo
ligeiramente, abri o meu chapeu de chuva. Das janellas de uma casa para
a qual eu me dirigia, duas meninas gritaram angustiosamente: Feche o
chapeu, sr. Kropotkine! Obedeci automaticamente. Mas, perguntando depois
o motivo de tal afflico, ellas responderam-me: Ora essa! Pois no
sabe? Entrar n'uma casa com o guarda-chuva aberto  morte certa.

No fundo de cada inglez ha um pastor protestante, como no fundo de cada
francez ha um pequeno Napoleo, como no fundo de cada hespanhol ha um D.
Quixote, como no fundo de cada portuguez ha um frade. A Inglaterra  um
mixto de tradico medieval e de progresso moderno. O socialismo quer e
procura emancipal-a dos vicios do passado. E so o partido do trabalho,
o syndicalismo operario, as sociedades eticas, por sobre as quaes paira
o espirito de Herbert Spencer, que se impem pela sua grandeza moral. 
o quarto estado que surge com as suas legies de trabalhadores, para, 
semelhana do Mazzanielo napolitano, reclamar os seus direitos, isto ,
o logar que lhe compete n'uma sociedade organisada.  um velho mundo que
desaba e uma aurora que se ergue, radiosa, sobre as ruinas do passado!

_No ha naes morgadas nem familias morgadas_--disse Jos Estevo.--_A
humanidade no cabe no mundo com o seu numero e com as suas aspiraes.
E esta verdade, que se tornou experimental, tornou impossivel a
existencia da propriedade territorial, inculta e abandonada, quer pelas
mos dos individuos, quer pelas mos dos povos. O trabalho  o principio
e o complemento de todo o direito de possuir._

E era de vr o ardor com que elle combatia os impostos indirectos:
_Detesto, acho repugnante, altamente injusto, radicalmente
antidemocratico e desigual, o imposto indirecto._

Com respeito s leis da usura: _Se ellas esto revogadas pelos poderes
da terra, ainda esto vigentes para as almas nobres, e eu hei de ser
sempre anachronico nos sentimentos de indignao que voto  classe que
trafica com a miseria e o suor dos seus semelhantes._

O socialismo era para Jos Estevo _um progresso_. O seu
apparecimento tornava-se _urgente_. _Utopia_ s podia ser o
_estacionamento_!--exclamou.




O democrata


Jos Estevo, estimulado pelas ideias humanitarias do seu tempo, fez
parte do primeiro triumvirato republicano. As suas tendencias
reflectiram-se na admirao que professava por Lamartine.

 mr. de Lamartine--dizia--_um poeta que carpiu as miserias da
humanidade; que cantou as suas glorias; que excitou os seus melhores
instinctos; que levantou a coragem dos povos; que acalmou as suas
demasias; que, com a sua palavra, suspendeu as paixes revolucionarias
da Frana;  n'esta composio moral e intellectual que, no meu
presentimento, est o simulacro da fortuna politica e de todos os
governos do mundo_.

O retrato foi feito por mo de mestre. Um episodio o demonstra. Um dia,
o povo de Paris, como fera escapada da jaula do domador, pedia, defronte
do palacio de Bourbon, a cabea de Lamartine, o idolo da vespera.

--A cabea de Lamartine! ella aqui est--exclamou o tribuno, assomando a
uma das janellas, na sua figura erecta e principesca, com a sua
sobrecasaca abotoada.

E aquella multido, terrivel, colerica, ameaadora, ante aquelle
heroismo, bem superior ao heroismo dos campos de batalha, o heroismo que
d a serenidade, recuou, como vaga encapellada que se desfaz em espuma.

 da historia e da logica que todos os que marcham na vanguarda de um
movimento politico ou social paguem com a vida o servio prestado aos
seus semelhantes. Todo o apostolado tem o seu calvario. E o martyrio que
tem o seu baptismo de sangue  sempre o mais fecundo.

Em 1848 assignou com Oliveira Marreca--um santo que conheci e adorei--e
Rodrigues Sampaio, um manifesto revolucionario que se destinava a fazer
triumphar _os principios democraticos, a causa das liberdades publicas
e da emancipao dos povos_.

Ainda aqui se nos revela Jos Estevo o precursor do movimento
democratico, como se nos revelou precursor, nos seus monumentaes
discursos do _Porto Pireu_ e das _Irms da caridade_.

Na primeira d'estas oraes, quando passa  historia da _ordem_--a ordem
que forjou a espada organisadora de Nemrod; a ordem que fez de um
almocreve arabe o chefe de uma religio; a ordem que compz o balsamo de
Ferrabraz; a ordem que fez as botas de Carlos XII, o chapeu de Henrique
IV e o casaco de Napoleo-- simplesmente admiravel.

 um trecho eloquentissimo, unico no seu genero, pela elevao do
conceito e energia da phrase, de uma rebeldia intensa, que Kropotkine
assignaria com orgulho, pela ironia desdenhosa que revela e por todo um
mundo de revolta que encerra.




O anti-clerical


Jos Estevo no queria as irms da caridade, porque as considerava uma
violao das leis do reino, d'aquellas que tinham levado ao throno a
sr. D. Maria II, que nunca capitulou, dentro da esphera do poder e das
sympathias, com aquellas invases surrateiras do poder ecclesiastico,
que para ella eram suspeitas de serem contrarias ao poder
representativo.

Respeitemos essas leis,--dizia elle--porque vivemos por ellas. So as
nossas leis, so o nosso corao, so a nossa vida, so a nossa
historia.

Com essas leis no pensamento, entrmos sete mil perseguidos, sete mil
expatriados, que tinham mais do que ns essas leis no pensamento, porque
tinham visto n'essas congregaes religiosas os instigadores e os
conselheiros de uma tyrannia nefanda; porque tinham visto sahir d'essas
casas ou corporaes religiosas cohortes de testemunhas falsas que
tinham ido aos tribunaes, para levantar com os processos judiciaes os
patibulos d'onde deviam cahir as cabeas d'aquelles que ellas tinham
marcado como nefastos ao seu predominio...

 preciso que nos convenamos de que no podemos salvar os objectos que
veneramos, se no reunirmos todas as nossas foras constitucionaes e
moraes, para desfazermos e contrariarmos as intrigas e os embustes,
pelos quaes se quer repor outra vez no seu throno e predominio estas
instituies que ns combatemos, destruimos e desfizemos.

Taes instituies, pelas riquezas e influencias de familia, tornam-se
nefastas aos poderes do Estado e ao exercicio das liberdades publicas.


Sou inimigo das irms da caridade,--dizia--porque as considero como um
ataque ao principio de familia; e a caridade attribuida a uma certa
instituio, com o piedoso fim de educar as creanas e tratar dos
enfermos nos differentes paizes da terra,  uma malicia ostentosa feita
em nome de Deus.

........................................................................

No se queima s, queimando as carnes, carbonisando os ossos; queima-se
apartando do corao, desfazendo e levando para longinquas paragens o
que elle tem de mais caro.

........................................................................

Sr. presidente, isto no  questo de irms da caridade, esto
enganados;  mais alguma coisa,  a questo das ordens religiosas;  a
sua elevao ao estado primitivo.


O espirito catholico congreganista  adverso aos principios liberaes e
por isso carece de ser vigiado de perto. As irms da caridade so uma
emanao do espirito jesuitico e em volta d'essa congregao juntaram-se
todas essas ideias que ficaram desbaratadas e destruidas pela
perseguio que se fez a essa instituio. A religiosidade, no sentido
que lhe do os theologos, no dispensa o culto externo; e o culto
externo das irms da caridade  pouco consentaneo com as formas, com os
costumes e com as prevenes da auctoridade civil.

Foi justamente para provar que a mulher portugueza era to boa ou melhor
educadora que as irms de caridade francezas, expulsas do nosso paiz,
graas ao seu formidavel libello, que Jos Estevo fundou o Asylo de S.
Joo, com sede em Lisboa e Porto e que com muito prazer nos  dado
representar n'este logar.

O que pedem os liberaes?

O rigoroso cumprimento dos decretos que no foram revogados: de Pombal
que expulsou os jesuitas; de Joaquim Antonio de Aguiar que dissolveu as
congregaes religiosas e de Loul e Braancamp relativo s irms da
caridade.

Pedem a revogao do decreto de abril de 1901 (Hintze Ribeiro) que,
prohibindo o noviciado e a clausura, d, todavia, existencia legal s
congregaes religiosas, desde que se trate de ensino e beneficencia que
so precisamente as duas armas mais perigosas de que o clericalismo usa
e abusa a seu talante e por causa das quaes foi expulso de Frana.

A natureza offerece-nos universalmente um espectaculo desolador: a fora
triumphante. Mas o homem, sahido da longa evoluo dos seres
organisados, concebeu a noo da justia e experimentou os transportes
do amor, no do amor que se manifesta no calor do sol, no perfume das
flres, no brilho das estrellas, no murmurio das aguas, no crescimento
das arvores, mas do amor que se revela nos individuos, nas classes e nos
povos solidarios.

Brada-se a cada passo, clamei eu ha dias n'uma reunio, contra os bandos
de mendigos, de vadios, de miseraveis, de analphabetos, que enxameiam,
pelas ruas das grandes cidades, como se a culpa fosse d'elles, filhos
espurios de uma sociedade madrasta. A culpa  toda nossa; a culpa  do
egoismo collectivo. A vagabundagem, a mendicidade no se evita com a
represso, com as casas de correco, com a esquadra policial. Evita-se
e corrige-se com as casas de trabalho, com as colonias agricolas, com as
crches, com escolas, como as nossas escolas liberaes e com asylos, como
o Asylo de S. Joo.

A estas manifestaes de amor, chama-se solidariedade, que pde
resumir-se n'esta palavra de ordem: viver para os seus semelhantes.




A Maonaria Portugueza


E, aqui, permitta-nos a assembleia que o Gro-Mestre da Maonaria
Portugueza preste uma homenagem calorosa, ardente e enternecida a quem
to alevantadamente a representou, a quem to alevantadamente manteve o
seu prestigio e o seu renome. E que ninguem se assuste! Muitas vezes vos
tero dito, Senhoras, que a Maonaria  uma sociedade de malfeitores.

Se ser malfeitor  amar a humanidade, ouvir a voz da natureza que nos
brada: Todos os homens so irmos, todos constituem uma unica familia;
se ser malfeitor  fazer o bem pelo amor do proprio bem e escutar a voz
da consciencia; se ser malfeitor  amar a verdade, praticar a justia, e
proceder com rectido; se ser malfeitor  obedecer  razo, esclarecida
pela sciencia; se ser malfeitor  amar os bons, fugir dos maus, mas no
odiar ninguem; se ser malfeitor  ser progressivo; se ser malfeitor 
ser tolerante, regosijarmo-nos com a justia e insurgirmo-nos contra a
violencia e a iniquidade; se ser malfeitor  accender essa immensa
fogueira a que se chama a escola; se ser malfeitor  arrancar uma faisca
de cada syllaba soletrada; se ser malfeitor  desenvolver o cerebro da
creana pela instruco; se ser malfeitor  formar o caracter pela
educao; se ser malfeitor  combater o prejuizo, o preconceito, o
fanatismo, a superstio, o erro e a mentira; se ser malfeitor  viver
para os nossos semelhantes; se ser malfeitor  moralisar pelo exemplo;
ns, os maons, reivindicamos, com orgulho, esse titulo de honra.

Jos Estevo que, na _Flecha dos mortos_, como Baudin na barricada de
Paris, affrontou as balas inimigas com bravura epica, Jos Estevo,
soldado e tribuno, foi Gro-Mestre da Maonaria portugueza, como o foi o
general Gomes Freire de Andrade, enforcado na explanada da Torre de S.
Julio da Barra, por ter commettido o enorme crime de ser portuguez n'um
momento em que muitos eram inglezes. Umas modestas flores solitarias,
cultivadas por mo amiga,  maneira das cruzes de madeira que o
viandante encontra nas estradas desertas, attestam que n'aquelle logar
se matou um homem. Jos Estevo foi Gro-Mestre, como o foi o duque de
Loul, como o foi Jos da Silva Mendes Leal, como o foram o conde de
Paraty, o conde Valbom, o visconde de Ouguella, Bernardino Machado, o
coronel Ferreira de Castro e o Conde das Antas; como o foi o illustre
professor Antonio Augusto de Aguiar; como o foi o mallogrado chefe
republicano Jos Elias Garcia, cujo enterro representou a apotheose de
todos os que aspiram a uma patria livre; como foi Gro Mestre o rei
Eduardo, de Inglaterra, e, como o  actualmente, o duque de Connaught,
seu irmo; como foi Gro-Mestre o rei Oscar, da Suecia; como o foram
Jos da Silva Carvalho e Passos Manuel; como o foram os imperadores
Guilherme I e Frederico, da Allemanha, e, como o  ainda hoje, por
intermedio do seu representante, o imperador Guilherme II; como foram
maons os patriotas de 1820.

Um professor da Universidade Livre de Bruxellas, n'um livro recente
sobre _Politica internacional_, affirma que a grande revoluo de 89 no
teria tido logar se no fosse a Maonaria. Mirabeau, S.^t Just, Sieys,
Camillo Desmoulins, Lafayette, Danton, Boissy d'Anglas foram maons.
Diderot pertenceu  Loja dos _Nove Irmos_, de onde sahiu a _Declarao
dos direitos do homem_. Foi maon o sabio Littr, que, sendo iniciado na
loja da _Clemente Amit_, tomou como divisa: O principal dever do homem
para comsigo mesmo  instruir-se; o principal dever do homem para com os
seus semelhantes  instruil-os.

Por toda a parte se accentua uma tendencia para um fim determinado: a
unidade espiritual da humanidade. Apparentemente separados, os espiritos
criam e desenvolvem a consciencia da sua unidade. Apesar de no
dependerem uns dos outros, encontram-se todavia, ligados por afinidades
espirituaes, descendentes de uma mesma raa ou cidados de um mesmo
Estado.

Para os que conhecem os signaes do tempo, no so os Estados nacionaes
que representam as unidades economicas predominantes, nem so tambem os
systemas religiosos que levam os homens a fraternisar uns com os outros:
 a vida mundial  qual est cada vez mais subordinado o trabalho de
cada individuo e de cada Estado;  a ideia de uma humanidade harmonica;
 o internacionalismo que se revela como o culto do futuro. E a unica
instituio que, atravs todas as perseguies e todas as vicissitudes,
se tem mantido com caracter universal,  a Maonaria.

A mensagem de Jos Estevo, dirigida em 1862 ao povo maonico,  de uma
actualidade palpitante e dir-se-hia escripta ha poucos dias e ha poucas
horas--tal era a sua previso!

O que  a reaco que invadiu o nosso paiz seno um d'esses trabalhos
insidiosos e solapados contra todos os grandes principios, porque a
Maonaria tem sempre combatido com tanta coragem e perseverana?

Esta frma de combater no  a que elles preferem. Adoptam-n'a por
necessidade. Se lhe fra possivel n'um momento derrubar a obra da razo
e da philosophia, no demoravam esta almejada catastrophe. Mas transigem
com as circumstancias e adoptam o arbitrio de temporisar.

Os inimigos, porm, so os mesmos. Os gritos de peleja so os que eram
bradados em tempo de mais poder. Agora segredam-nos, mas exprimem as
mesmas paixes, os mesmos intuitos. Ao som d'elles, foram ganhas
execraveis batalhas contra os fros da humanidade. Agora, com as mesmas
evocaes, so praguejados os seus progressos e embaraada a sua marcha
no caminho da perfeio.

A Maonaria deve acordar do seu lethargo, levantar a sua bandeira,
inspirar-se das suas recordaes, tomar o seu posto tradicional. Se
assim no fizermos, trahimos o juramento que prestmos, injuriamos a
memoria dos irmos, nossos passados, e usurpamos o titulo de maons,
porque o no , porque no merece tal nome aquelle que  tardo em acudir
pela defeza dos principios da sua ordem, aquelle que se cana na lucta e
deixa as armas no campo.

Cumpre  Maonaria vigiar as praias da civilisao e ter bem policiados
todos os signaes e precaues, para evitar aquelles enganos, desassustar
a navegao, e tornar a viagem dos homens e das naes n'este mundo,
mais certa, mais livre, mais virtuosa e mais honestamente aprazivel.

Meus senhores: Escreveu Maximo Gorki que ha duas maneiras de viver: a
putrefaco que  propria das almas egoistas e vis e a combusto que
representa o calor, a vida e o movimento.

Jos Estevo viveu em plena combusto, e foi, em Portugal, no s o
precursor do pacifismo, do socialismo, do movimento democratico, do
anarchismo scientifico e philosophico, do anti-clericalismo, seno
tambem a mais alta encarnao do genio latino, ao qual a humanidade deve
o nascimento e o renascimento da civilisao; d'esse genio que irradia
sobre o mundo e que todos os dias, no dizer de Anatole France, nos d
mais sciencia, mais liberdade, mais belleza, uma justia mais justa e
leis melhores; d'esse genio que no morreu ainda, nem morrer nunca,
como alguns erradamente suppem, porque tem na America a sua continuao
e a sua immortalidade pela sua raa, pela sua historia, pela sua
tradico, pela sua lingua, a verdadeira patria espiritual.

Para o futuro--dizia--pertencerei decerto ao partido que comea a
formar-se, que j est crescido, que vive entre ns sem termos dado por
tal, que nos inspira sem ns o sentirmos e que mesmo do bero dirige as
coisas publicas e domina at os homens de mais forte vontade... Se este
partido fosse obra dos homens ou a sua creao pudesse ser contrariada
por elles, talvez se no fizesse; mas esta ordem de coisas surge,
rebenta da situao.

Muitos lhe chamaram Demosthenes, outros Cicero, outros Mirabeau. Nada
mais absurdo do que estas comparaes que attestam uma mentalidade
inferior. Cada orador obedece ao seu temperamento e  filho das
circumstancias em que a sua palavra tem de actuar. Jos Estevo foi,
principalmente, um grande tribuno, porque sentia estuar-lhe nas veias o
sangue quente do revoltado, sem o que no ha sabios, nem philosophos,
nem poetas, nem artistas.  com esta materia prima que se fabricam os
heroes do nosso tempo. _In hoc signo vinces_...

Se os paizes se caracterisam, em geral, pelos nomes dos seus homens
celebres, dos seus immortaes:--a Frana, por Racine, por Corneille, por
Molire, por Lamartine, por Gambetta; a Inglaterra, por Byron,
Shakespeare e Gladstone; a Allemanha, por Schiller, Goethe, Mozart,
Beethoven; a Italia, por Dante, Petrarcha, Mazzini, Garibaldi; a Grecia,
por Homero e Demosthenes; Roma, por Virgilio e Cicero; a Hungria, por
Kossuth; a Hespanha, por Velasquez, Cervantes e Castelar, ns,
proclamando Portugal, como a patria de Jos Estevo, teremos prestado 
sua memoria a maior das consagraes, tornando-o um symbolo--um symbolo
da patria livre e redimida, da liberdade victoriosa e da emancipao da
consciencia portugueza.

E , solidario n'esta aspirao, que eu, em nome do Grande Oriente
Lusitano Unido, no s felicito e louvo os promotores d'este centenario,
como tambem convido a assistencia a no esquecer esta data que se
tornar uma data historica nos annaes das celebraes nacionaes.




Do mesmo auctor:


Miniaturas Romanticas

A Senhora Viscondessa (_romance_)

Costumes Madrilenos

A Questo do Banco Nacional Ultramarino

A Actualidade (_estudo economico social_)

Padres e Reis

O Papa perante o Seculo

Os Estados Unidos da Europa (_trad._)

Revolta (_1. parte_)

Revolta (_2. parte_)

Pela Patria e pela Republica

O Socialismo na Europa

O Livro da Paz

O Primeiro de Maio

A Federao Iberica (_edio franceza_)

Paz e Arbitragem

O Federalismo

O Centenario no Estrangeiro (_conferencia_)

A Guerra e a Paz (_conferencia_)

A Obra Internacional (_edio portug. e franc._)

O Congresso de Roma (_conferencia_)






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